Desafio Literário – Livro As Aventuras de Tom Sawyer

O livro reserva que escolhi para este mês foi As aventuras de Tom Sawyer, leitura que já havia começado anos atrás mas que deixei pelas metades e graças ao DL2011 arranjei um lugarzinho pra ele na agenda.

A história acontece na pequena cidade estadunidense de Sant Petersburg do séc. XIX  onde Tom Sawyer, educado por sua tia Polly, cresce e apronta todas as suas “diabruras” de menino levado e incorrigível. Ele tem o “dom infantil” de ser curioso e de ver o mundo de uma maneira muito diferente a dos adultos à sua volta e muitas vezes parece simplesmente que é um garoto malvado. Na verdade o que eu senti lendo este livro foi uma mistura de bondade e perversidade na figura deste personagem e isso me fez lembrar da característica própria da infância. Sejamos realistas: existe ser mais perverso e ao mesmo tempo mais doce do que uma criança? Se ficar difícil pensar nisso é só lembrar das coisas que as crianças costumam falar e que desconcertam os adultos!

Enfim, a história é cheia de aventura e de perigos, e Tom Sawyer está sempre acompanhado dos seus amigos Joe Harper e  Huckleberry Finn que formam um grupinho pra lá de arretado com sua mania de serem piratas um dia.

Uma outra parte bacana é quando ele se apaixona por Becky Thatcher, colega de escola dominical e de colégio. As cenas dos dois na fase de “namorinho de pegar na mão” é tudo de bom! E depois da última aventura em que vão juntos e passam momentos de tensão e cuidado mútuo…adorei a nobreza que aparece no menino que todo mundo vê como endiabrado!

Além desses personagens ainda tem o índio Joe que me serviu para lembrar que o ranço racista do estadunidense e os conflitos entre etnias de hoje tem suas raízes muito bem fincadas naquela época de que trata o livro. Em poucos momentos o índio é colocado na história como pessoa digna. É mesmo como um “bicho raro”, como dizem aqui na Espanha, ou seja uma coisa esquisita que ninguém se atreve a aproximar muito e de que todos têm medo.

Pra terminar, o carinho e a insistência da tia Polly por educar e amar a esse menino tão difícil de entender que é o Tom Sawyer , me fez pensar nos pais, mães, tias, avós que cada dia se esforçam por dar algo de bom a suas crianças mesmo quando essas fogem do ideal de bondade, obediência e civilidade que todo mundo quer pra si.

Resumindo, uma leitura gostosa que amei ter terminado depois de tanto tempo esperando na estante, e que me proporcionou momentos de boas lembranças da minha infância no interior e boas reflexões sobre ser criança hoje em dia.

ps: A leitura de Tom Sawyer foi mais fluida que a de Emily porque estava em castellano e pude aproveitar o tempo do metro, que foi imprescindível para poder postar tudo a tempo! ieee, consegui!

Desafio Literário – Livro Emily the Strange

A leitura do livro Emily the Strange foi escolhida para o desafio literário do mês de janeiro por se tratar de um livro fofo que eu tinha lá na estante esperando a minha boa vontade pra ser lido e que calhou super bem com o tema do mês: literatura infanto-juvenil.

Bem, Emily the Strange _ the lost days é um dos livros da série originada partir do personagem Emily, em 1991. Ao contrário do que geralmente acontece o personagem não saiu dos livros e ganhou a simpatia do público. Primeiro Emily foi apenas a figura de uma adolescente meio “dark”, criada por Rob Reger que aparecia em adesivos promocionais de uma empresa gringa e que mais tarde deu origem a série.

O livro começa com Emily despertando totalmente perdida em uma praça, sem saber onde está, e nem mesmo quem é. Pouco a pouco descobre o nome da cidade onde está (que se chama Blackrock) e faz uma amizade meio monosilábica com a garçonete do restaurante El Dungeon, onde acaba “morando”.

O mistério da personagem vai ficando mais interessante a medida que ela tenta lembrar quem é, e o que está fazendo ali. Sua mania de anotar tudo vão nos dando dicas de quem é essa menina “rebelde” e a história fica cada vez mais divertida com a interação dos outros personagens. Quem faz parte imprescindível da trama são seus 4 gatos fofos: Miles, Mystery, Nee Chee e Sabbath, cada um com sua personalidade própria e muito companheiros da sua dona. Uma carta da sua tia avó ajuda a esclarecer um pouco as coisas, mas também serve de aditivo para o enigma que continua presente.

Para mim, a leitura de The lost days valeu a pena primeiro porque é uma história de mistério; segundo porque a personagem é danada de boa: é a adolescente mais sarcástica-maluca-independente-fofa do mundo mundial! E também porque a ilustração é linda e convida sim à leitura (e é tricolor! branco, preto e vermelho!).

Gostei muito do livro também porque me fez lembrar das minhas esquisitices da época dos meus 12, 13 anos, que é justamente a idade dela no livro. E de como eu detestava (leia-se detesto) ser igual a todo mundo. Ao contrário do que eu pensei no começo, Emily the Strange não é um livro de uma garota “rebelde sem causa”, e que incita a somente “ser do contra, por ser do contra”.

É um livro bacana que fala de princípios, de autenticidade, de ser pensante mesmo quando tudo (e todos) parece abobalhar a gente. E sobretudo é um livro que nos lembra de ser criativo e não ficar preso no que os outros vão pensar. Encontrar-se a si mesmo, nessa fase esquisita que é a adolescência e viver essa etapa com toda a fantasia que ela merece.

É um personagem que me fez pensar de verdade no quanto eu gostaria que houvessem menos Justin Bieber, RBD, Hannah Montana, Jonas Brothers…etc, etc…vou parar porque infelizmente a lista é longa.

Mas o que interessa é que o livro Emily the Strange – The lost Days vale a pena ser lido 😉 e eu espero ansiosamente pelo filme que dizem que vai sair em 2012 com Chloe Moretz no papel de Emily.

ps: O livro está em inglês, e confesso que foi bom pra eu ter idéia do quanto preciso voltar  a estudar este idioma porque mesmo essa leitura que não é nada pesada, foi difícil pra mim.

 


Ilustração e cómics galegos

Eu sou fã confessa de cómics há muito tempo. Descobri aqui na Espanha que eles também chamam os quadrinhos de tebeos ou banda diseñada.

Minha história de amor com o cómics começou quando lia a turma da Mônica. Depois ganhei uns exemplares de uma história de vampiros que não consigo me lembrar o nome! Lembro que minha mãe ficava desesperada de me ver devorando aqueles livros de “bichos feios”, como ela chamava.

Muuito tempo mais tarde, descobri a Neil Gaiman e aí a paixão ficou definitivamente consolidada. Li toda a saga, comprei alguns livros da edição de luxo e me encantei pelo personagem da Morte – eu já tinha uma quedinha por coisas estranhas, convenhamos!

Uns anos mais tarde a lista de autores e de ilustradores de quadrinhos foram aumentando, e depois que fui ao 26 Salão do Cómic em Barcelona (2008) virei uma freak!

Lá conheci alguns autores galegos que adorei! Até então só tinha ouvido falar de Miguelanxo Prado e finalmente pude ver muitas das obras dele e me encantei! Comprei o vídeo de animação do De Profundis (lindíssimo), li Trazo de Tiza e comprei faz poucos dias La mansión de los Pampín.

Outro galego que me conquistou foi Alberto Vázquez com sua obraPsiconautas (tenho dedicatória e tudo!). E faz pouco tempo uma amiga querida, filóloga galega me passou a página de David Pintor, que ilustrou Compostela com uma poética linda e traço super fofo!

Para quem gosta de quadrinhos fofos esses autores são boa pedida! Boa leitura 🙂

Fútbol Club Barcelona

Nunca fui fanática por futebol e não sou de falar muito sobre o tema. Mas ontem tive uma experiência bem legal. Já faz um tempo que meu namorado queria me levar para assistir a um jogo do Barcelona e claro, depois de ver a muitos partidos morando aqui como motivo pra sair e fazer festa eu quis matar minha curiosidade e ontem, com um frio de -1 grau fomos ao estádio do Camp Nou para ver o Barça jogar!

Gente, muito bacana! Claro que se a gente for esperando aqueeela animação brasileira, torcida organizada e tal, pode ir esquecendo. Mas eu achei o maior barato o fato de poder ir com calma, sem empurra-empurra, e o povo na maior tranquilidade realmente assistindo o jogo!

Achei bacana a sensação de não ter ninguém narrando e ver a proporção das coisas de um ângulo totalmente diferente da TV. Isso me fez pensar no quanto a gente tá acostumado a ver tanta coisa pela televisão e acabamos perdendo a noção realística das coisas…e estou falando do mais básico mesmo: tamanho, dimensão, estética. É tudo tão retocado na telinha hoje em dia que a discussão realidade x ficção é cada vez mais atual!

Enfim, deixando esse papo pra lá, quis registrar mesmo o momento e a sensação de ter ido ao partido Barça contra Racing de Santander. Claro que o Barça ganhou, né? Nem podiam me decepcionar depois de tanto tempo…hehehe. O placar ficou 3X0! A gente riu muito, gritou e fez a ola…foi muito divertido. E pra variar, na fileira abaixo da nossa, adivinha? Um grupo de 6 brasileiros! Não tem jeito não…estamos por todo o mundo!

É isso! Amei ir ao estádio porque foi uma experiência nova pra mim e mais ainda porque foi bem divertido!

(…) Blaugrana al vent,
un crit valent,
tenim un nom, el sap tothom:
Barça!, Barça!, Barça!

Uma flamenguista e um tocedor do Pumas-México felizes congelando para ver o Barça jogar!

Viver em Barcelona é…

Então, há três anos atrás eu cheguei em Barcelona com duas malas e um monte de sonhos na cabeça, pronta para começar a estudar outro máster e louca de vontade de aprender a me comunicar, viver a cidade e a experiência de estar aqui.

Pois bem, passado este tempo tenho um monte de histórias bacanas para contar e muita coisa boa que recordar também. Lembrando um pouco da fase de adaptação -longa e que até hoje não acabou- penso naqueles detalhes que te afirmam que você não está mais no seu território.

Por exemplo: você começa a sentir que está vivendo na Espanha, especialmente em Barcelona quando:

– andar pelas ruas e ver aquela multidão de turistas se torna “o pão de cada dia”;

– de repente você também começa a chamar os turistas de “guiris”;

– seu senso estético começa a ser influenciado por um sem fim de estilos, e achar legal aquela franja “a la catalana” é o mais normal do mundo;

– sem querer você se acostuma com o mau cheiro dentro do metrô, e em alguns casos como o meu, também acaba tendo que tolerar o mau cheiro no local de trabalho (é, esse negócio de banho todo dia em inverno é algo muito “nosso”, muita gente aqui cultiva aquele “cheirinho especial”);

– começa a se acostumar com o mau humor do povo que parece não ter fim e se assusta quando alguém é muito amável;

– usa as pernas para se locomover mais do que qualquer outro meio de transporte e acha super legal porque realmente a cidade está adaptada pra isso;

– adora sorvete no frio, também leva pão (com alguma coisa dentro) para comer durante o passeio (e não acha cafona) e faz uso da bicicleta com certa frequência (se bobear tem até o cartão do Bicing);

– você nota que está em Barcelona quando escuta catalão 24 horas por dia e começa a dizer “adéu” e “siusplau” sem se dar conta;

– depois de um certo tempo começa a ser fã de Buenafuente, Berto Romero e no meu caso também de Sé lo que hicisteis e Belén Estéban (argh!) já virou figurinha fácil mesmo sem acompanhar “la prensa del corazón”;

– fica fascinado com a quantidade de atividade cultural que acontece na cidade e fica feliz de ver Picasso e Miró de graça nos eventos abertos ao público;

– você se dá conta de que está vivendo em Barcelona quando faz topless no verão e acha muito normal;

– comemora o dia de São João (San Joan) como se fosse ano novo e arranja formas alternativas de passar o Ano Novo em pleno inverno sem deprimir;

– comemora o dia de San Jordi – e fica alucinado com tantos livros e flores pelas ruas da cidade e adora ganhar uma rosa e um livro de algum amigo ou do namorado;

– começa a conhecer gente de tudo que é lugar e normalmente vai à festas nas que encontra com literalmente meio mundo de etnias e todoso se esforçam em comunicar-se, mas nada de muito abraço nem demonstrações efusivas de afeto;

– e quando “cai a ficha” dessas e outros milhões de detalhes mais, você se sente feliz por ter vivido tudo isso e no meu caso – como é hora de voltar – já fica saudoso de cada pedacinho da cidade, de cada pessoa e experiência vividos.

Jo t’estimo Barcelona! 😉

 

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