Felinos in the air

Cochilo na casa nova

Pois bem, finalmente depois de quase cinco meses em solo brasileiro novamente nós já fizemos muitas coisas e agora voltamos a ter internet em casa. Então poderei escrever normalmente no blog que já está com teia de aranha há séculos e aquele cheirinho de mofo. Mas isso vai acabar! Limpeza total e muito movimento por aqui.

Hoje vim escrever um pouco sobre a saga de mudar de país levando consigo o querido amigo felino. Vejam bem, no meu caso a experiência é com gato, mas acredito que isso se extende a outros tipos de animais. A questão é que pra nós foi uma experiência e tanto e por isso gostaria de compartilhar.

Nós fizemos todo o processo burocrático em Barcelona para trazer a Xica no avião conosco. Vacinas, colocação do chip, aval do veterinário alguns dias antes da viagem e autorização da aduana quase no dia da viagem. Além disso tivemos que reservar a ida dela conosco no avião, que no caso da Iberia, libera os animais de pequeno porte (até 8 kilos) para ir dentro da aeronave com o dono, e não lá embaixo na bodega.

Mas antes de tudo isso a pergunta era: levamos ou não levamos nossa querida gata conosco para viver no Brasil? Lá em Barcelona existiam outros gatos em casa que faziam companhia pra ela (os gatos não eram nossos). E além do mais Xica sempre foi meio medrosa, não gostava de sair de casa nem pra descer as escadas do prédio e pra piorar estava no cio e nós não tínhamos grana pra castrá-la com o veterinário de lá. Eu morria de medo de que a viagem fizesse mal pra ela, que provocasse algum comportamento ruim, ou que simplesmente ela ficaria infeliz longe dali.

Mas conversei com um mundo de gente, incluindo alguns veterinários e descobri que ela ficaria bem enquanto houvesse carinho por perto e a preocupação de vê-la bem. Tem gente que diz que o pior que pode acontecer a um gato é que seu dono desapareça ou morra. Eu nem sei se isso é realmente verdadeiro, mas sei que no caso da Xica ela ficaria mal lá porque eu não tinha ninguém de confiança com quem deixá-la, que amasse os gatos e que a cuidasse por toda a vida. Então, preferi assumir os riscos e trazê-la.

Meses depois confesso que foi a melhor opção. Eu, com certeza ficaria muito mal se deixasse minha negrinha pra trás. Até hoje ela está se adaptando, até porque a chegada no Brasil foi toda uma saga. Mudamos de casa 2 vezes, nesse meio tempo a castramos e agora trouxemos dois novos gatinhos pra fazer parte da família.

Em todos os momentos de mudança percebia a angústia do animal em não se sentir confortável. Mas claro, ela não estava no “seu espaço”conhecido. Nem nós mesmos estávamos bem ainda. Demorou um tanto para que as coisas se acomodassem mas agora Xica está cada dia mais “ela”.

Depois de tudo o que percebi é que para assumir essa responsabilidade é bom levar em conta algumas coisas:

1. Tenha em conta os gastos que isso implica;

2. Tenha muita paciência com os trâmites burocráticos;

3. Não deixe de dar carinho ao seu amigo felino. Ele precisa se sentir seguro e vai te agradecer por isso depois;

4. Eles podem demonstrar comportamentos estranhos e agressivos mas a gente precisa aprender a lidar com isso. Vai passar, pode ter certeza. Ele só precisa de tempo;

5. O seu estado de “ânimo” influencia muito o comportamento do seu felino. Então quanto mais relax estiver, melhor (experiência própria-não serve de nada desesperar-se);

6. Curta muito a aventura e tenha certeza de que fez a melhor escolha.

É isso, espero que vocês possam aproveitar dessa experiência compartilhada. Quem tiver alguma aventura parecida e queira trocar figurinha, sinta-se à vontade.

Hasta luego 😉