DL 2012 – Maio – Canek

No mês de maio que já finda amanhã li apenas Canek – Historia y leyenda de un héroe maya, escrita por Ermilo Abreu Gómez. Este é um livro que estava faz é muito tempo na estante, ali de bobeira, presente de marido que o trouxe do México. Mas eis que chegou o DL de maio e não encontrei com rapidez a edição de bolso do livro Diário de Anne Frank.  Canek estava segundo na lista. Foi aí que aproveitei para ler e devorar o livro! Afinal foi uma leitura intensa e que me fez pensar um monte.

O livro trata de uma lenda da luta do povo Maya que o autor elabora a partir das suas recordações infantis das histórias e lendas contadas pelos índios nas noites em que se reuníam na fazenda. Quando criança, em companhia do pai teve contato com essa gente que marcou tanto o pensamento de Ermilo Gómez e anos depois reuniu a partir de suas lembranças e partes da história real a composição da obra e do personagem de Jacinto Canek, herói Maya, personagem central. 

O autor ainda afirma que o muitos personagens foram escritos baseados nas semelhanças consigo mesmo e com pessoas de seu convívio na época de sua infância e que Canek é o livro que melhor reflete a sua dor pelos humildes e pelos indígenas de sua terra.

A história se passa em Yucatán, por volta da metade do século XVII quando Canek, um jovem guerreiro Maya manifesta com grande dignidade a força de seu espírito rebelde contra as injustiças das quais o seu povo foi objeto. Tudo começa com a chegada do menino Guy, um garoto doentinho, tímido e rejeitado pela família mas que cativa Canek que trabalha na fazenda onde vive Guy, suas tias Micaela e Charo, o tio Ramón e por onde passa uma menina misteriosa chamada Exa.

Todo o tempo a narrativa corre sobre a vida cotidiana e os pequenos enfrentamentos internos do grupo e pouco a pouco vai crescendo até explicitar toda as pioras de condições de vida daqueles que ali vivem e muito mais para os que são indígenas. A partir disso o autor nos revela o pensamento de Canek após algumas perdas importantes que teve, até o ponto em que se arma um levante liderado por esse herói contra toda a injustiça e opressão a que estava submetida seu povo.

Falando assim não dá pra ter a dimensão da riqueza do livro e da profundidade de reflexão que pode levar. Mas de fato foi uma leitura que me surpreendeu muito e que me fez pensar nas minhas próprias práticas autoritárias e na falta de contato que tenho (temos) com a vida que pulsa, com a natureza e com a lógica das coisas simples.

Deixarei para vocês alguns trechos que me tocaram. E pra concluir, indico muito a leitura, sõ não sei se existe uma versão brasileira do livro. 

“Nunca tenhas medo das suas lágrimas. Nenhum covarde chora. Somente os homens choram. Além disso filho, as lágrimas sempre caem de joelhos.”

“E para que querem liberdade se não sabem ser livres? A liberdade não é graça que se recebe nem direito que se conquista. (…) A liberdade do homem se cumpre em sua consciência.”

“Nunca tenhas orgulho dos frutos da sua inteligência. Apenas eres dono do esforço que colocaste em seu cultivo; daquilo que a tua inteligência conquista, nada mais eres que um espectador. A inteligência é como uma flecha: uma vez que se distancia do arco, ninguém mais a governa. Seu vôo depende de sua força, mas também do vento, e por que não dizê-lo? do destino que  caminha atrás dela.”

PS: Traduções minhas.

Anúncios

Singin’ in the Rain

Depois de algumas semanas sem aparecer por aqui retorno num dia chuvoso, calmo e aconchegante para dizer um olá a tod@s que passam por aqui.

As últimas semanas foram bastante intensas de trabalho, viagens e responsabilidades novas #adoro#.  Mas descansar também é preciso e hoje tirei o dia pra isso. Para não me importar com horários, coisas por fazer nem nada que me tirasse o sossego merecido. Ando de pijama até agora e sem culpa alguma. Afinal, mereço minha gente!

Além das obrigações aconteceu muita coisa legal nesses dias que eu gostaria de compartilhar: Comemoramos 1 ano de casamento!!! Nem acredito que o tempo tem passado tão rápido e nossa história logo, logo completam 4 anos de vida! No meio disso nos casamos ano passado com muita simplicidade e amor e agora olhando para trás tudo faz cada vez mais sentido. Sou daquelas mulheres que sempre achou que levaria uma vida de solteira forever e agora vivo com muita alegria essa experiência totalmente nova pra mim que é o casamento. Tudo aconteceu tão de repente, tão sem aviso e sem pedido de licença que me assusta às vezes. Mas nesse improviso todo as coisas foram tomando seu lugar, criando sentidos e como dizemos os psicólogos: fui ressignificando o estar junto de, e tudo foi mudando pra mim.

A arte da convivência a gente vai aprendendo dia a dia, errando, acertando, dias fáceis, dias difíceis, dias de riso e dias de raiva. Mas quando a gente ama alguém que também está na mesma vibe e no mesmo momento da gente as coisas fluem de forma incrivelmente equilibrada. E é assim, eu que sempre fugi de tudo que tende ao “pra sempre”, tenho amado a sensação de pensar no “infinito enquanto dure”.  E que dure até o último suspiro do amor!

Um dia para os clichês

Hoje é feriado do Dia do Trabalho celebrado no mundo todo e dedicado não apenas às conquistas, mas sobretudo às inúmeras lutas que são travadas pela garantia dos direitos do trabalhador, por condições dignas de trabalho, melhor qualidade de vida, etc, etc… Por favor, não pensem que eu nem ligo pra tudo isso. Muito ao contrário! Não posso dizer que sou militante, mas estou aí na luta, junto com a galera. Mas é que a vida nos últimos dias tem sido pesada demais e hoje o único que eu quero é descansar a alma e a cabeça (são uma coisa só?) #minutofilosofia#. 

Na onda do relaxamento eu embarquei há umas horas atrás na programação da tarde de hoje da FOX e assisti novamente o filme De Repente 30. Gente, eu fiquei mais leve! Que coisa boa! Estava precisando. Para quem ainda não viu, o filme bobinho é estrelado pela Jennifer Garner e o bonitinho da vez é o Mark Ruffalo. O filme é uma sátira da passagem do tempo e lembra da importância das escolhas feitas pela gente durante o nosso caminho. Tá, claro que fala também do mundo fashion lá das revistas e do mundo publicitário, mas esse não é o meu foco pra falar do filme hoje. O que eu gostei de ver foi a personagem retomando valores importantes, há muito esquecidos por ela e se permitindo “ser adolescente” outra vez.

Tem uma cena em que ela fala do amor pelo amigo para um bando de adolescentes, elas suspiram juntas e depois começam a dançar como loucas no quarto. Caramba! Como é gostoso fazer isso de vez em quando! E tá, eu tenho 32 e não me comporto como uma garota de 13 anos, mas de vez em quando, meu povo, fazer coisas loucas que nos deixam leves e felizes vale a pena, mesmo que isso te faça parecer um pirralho!

Taí, na próxima oportunidade vou bem eu lá dançar na frente do espelho com “azamigas”. E na falta da companhia, pelo menos vou cantar Crazy for You imitando a Madonna debaixo do chuveiro! Ah, os vizinhos vão escutar? Ótimo, adoro platéia! 

Bom começo de trabalho pra nós 😉

DL 2012 – Abril. A montanha da Alma

Esse livro de Gao Xingjian é um retrato amplo e profundo da história da China, desde as primeiras dinastías até os dias atuais. O autor repassa as lendas e histórias tradicionais do seu país através das histórias do protagonista, um escritor a quem se havia diagnosticado um câncer e que decide começar uma viagem. Ele decide se isolar na montanha em busca da Montanha da Alma, também chamada de Lingshan. Em sua descoberta da natureza ele reflete sobre o que tinha sido sua vida até então. Remexe o seu passado, sua infância para compreender o seu presente. O protagonista conta com a companhia de uma mulher que o acompanha desde que a conheceu no meio do caminho e que é muito pessimista devido aos sofrimentos que ela pensa ter vivido. Ele se dedica a contar-lhe as histórias, mitos e lendas populares que vai construindo ao longo de cada capítulo do livro.

As histórias e/ou lendas são muitas durante a leitura e algumas me chamaram mais atenção do que outras, mas foi uma leitura meio tensa porque na minha opinião esse é um livro para ser degustado. Ou seja, leitura rápida para alcançar o prazo do DL acabou suprimindo um pouco do encanto da coisa. 

Eu gosto e respeito muito a cultura de outros países e esse é um livro bacana para se aproximar da China, por exemplo. Mas é muita informação e as reflexões são densas. Gostei, mas aconselho a quem quiser lê-lo que tome seu tempo. Vale a pena.