DL 2012 – Novembro: Cotoco, de John von de Ruit

Bom, novembro tá chegando ao fim e hoje estou aqui para falar de “Cotoco” – O diário perversamente engraçado de um garoto de 13 anos, escrito pelo autor sul-africano John van de Ruit.

Bom, o livro se passa em 1990 e conta a história de John Milton, um garoto de treze anos, com uma família maluquinha, que ganha uma bolsa de estudos para um renomado internato para garotos. Nesse novo lugar ele conhece aqueles que serão seus companheiros e amigos loucos. Juntos eles formam “Os oito loucos” e aprontam de tudo.

Ler este livro foi uma delícia e por coincidência continuei lendo histórias de adolescentes que são um “baita sacode” na gente, para relembrar valores que nós  acabamos  perdendo pelo caminho. A história de outubro também teve muito disso. Cotoco embora muito engraçado e louco (sim, vocês verão o quanto assim que lerem) traz a reflexão sobre a amizade, sobre o primeiro amor e as diferenças que podem muito bem nos aproximar uns dos outros ao invés de afastar.

Cotoco era um apaixonado pelo críquete, esporte que eu não entendo um bledo, mas que foi interessante conhecer.

As indicações de leitura que aparecem durante a escrita do adolescente são um plus para o livro.

Achei super engraçado quando ele se propõe a escrever para uma das meninas que gosta. Gente, não vou colocar spoiler…só lendo! É de rolar de rir. E olha que mesmo com o apelido perverso de Cotoco (que é assim por conta das suas partes íntimas pouco desenvolvidas) o garoto se vê entre a escolha de 3 meninas! Ele é demais!

Sem dúvida é um livro que vale a pena. Além de cativante ele traz de pano de fundo temas históricos como a libertação de Nelson Mandela e a relação entre brancos e negros na África do Sul daquela época, que é bem recente, por sinal.

Recomendo 😉

PS:  Cotoco também virou filme, mas desse eu não posso falar muito  pois não o assisti. Você já assistiu?

“Alguém me desconfigurou”

Quase meia hora pra decidir o nome do post já revela pra mim o quanto minha suspeita é real: ando sem criatividade, meio zumbi, meio piloto automático ou algo parecido. É muito chato perceber que o final do ano está chegando e que fazer a tal retrospectiva de como foram os meses desse 2012 me faz perceber que vivi quase os 365 dias sem notar que eles estavam passando. Resumindo, meu ano de 2012 foi de trabalho, trabalho, trabalho. Uma situação ou outra de descanso de verdade. 

Não posso negar que nesses últimos meses conquistei muitas coisas importantes como a compra do apartamento, a mudança de emprego, a manutenção de exercício físico na rotina (natação) e o rearranjo da vida depois do retorno ao Brasil. Não tem sido fácil, mas sinto que o meu caminho neste momento da minha vida é mesmo esse. E me sinto feliz com isso. Mas não posso negar que o cansaço tomou conta de mim. Esse fim de ano me dá o saldo de 3 anos sem férias e isso já passou do meu limite. Somado ao esforço da readaptação, das decisões difíceis que tomamos…caramba! É até compreensível essa falta de criatividade.

Entretanto, além desses fatores tenho atribuído essa minha fase sem graça a falta de identificação que tenho sentido com as coisas e o modo de vida ao meu redor. Pois é, fico pensando em como não parecer pedante ao dizer isso, mas não adianta. Pelo menos aqui onde vivo e com as poucas pessoas do meu convívio sempre que falo da experiência de ter sido expatriada parece que quero “aparecer”. Gente, não tem nada mais chato do que isso. Desde que voltei (e que fique claro, o retorno nunca é tão tranquilo) não me sinto à vontade pra falar do quanto tudo aquilo foi importante pra minha pessoa! Não, não é pra parecer “chique”, não é pra “aparecer”. É simplesmente uma necessidade de compartilhar de coisas que me são caras. É também uma necessidade, acredito eu, de encontrar pessoas que compartilham outros modos de vida, menos luxuosos, menos espetaculosos e mais simples. Não sei se essa dificuldade que sinto é uma particularidade do lugar onde vivo (e duvido que seja), mas tem me incomodado muito perceber que a maioria dos meus esforços hoje são para ter coisas, para manter um padrão de vida “estável” como a maioria das pessoas da minha idade. Viver experiências diferentes, usar mais os espaços públicos, conhecer outros modos de vida, ter tempo para a vida além trabalho é algo que tem ficado tão longe do cotidiano, mas tão longe que o incômodo já virou agonia! Não é isso que quero pra minha vida. Só que ainda não descobri como fazer pra viver com mais intensidade, criatividade com a rotina que levo. Talvez as respostas estejam bem em frente do meu nariz, mas ainda não enxergo. Alguém aí tem uma luz no fim do túnel?

Imagem do Mangá Uzumaki

Corrida das Cores – Vitória ES

Galera, ando nada inspirada pra escrever. Resultado talvez de um mês sem internet, sem tempo pra fazer minhas resenhas direito, e dias muito movimentados. Mas bora lá, que eu ainda quero compartilhar minha participação e a do marido na Corrida das Cores que aconteceu aqui em Vitória no mês passado.

Foi uma delícia, dia sem muito sol, a cidade linda e colorida! E para quem não sabe direito o que é a Corrida das Cores deixo esse site aqui, porque outras cidades receberão o evento. E ano que vem tem mais.

Fiquem com as imagens que foram tiradas do página da corrida no Face e outras pessoais.

Espero que tenham gostado. Quem tiver oportunidade, vale a pena participar!

DL 2012 – Outubro – TodoParacuellos, de Carlos Giménez

O mês de outubro foi bem movimentado e eu fiquei atrasada com o post do DL. Entre a mudança de casa, a falta de internet e todos os imprevistos que surgiram, foi possível ler o quadrinho espanhol que selecionei pra esse mês. 

TodoParacuellos é o nome de um antigo orfanato espanhol onde se passam parte das histórias escritas por Giménez, que formalmente se chamava Hogar Batalla del Jarama. Segundo o autor haviam outros lares e o quadrinho é uma compilação de vivências reais nesses lugares. Esses lares do auxílio social dirigidos pela Igreja durante o pós guerra eram onde grande parte das famílias deixavam suas crianças para que pudessem ter o que comer e onde dormir já que as condições do país eram desoladoras.Também era o lugar dos órfãos ou das crianças que eram abandonadas pelos pais.

Ver os desenhos de Giménez que também viveu nesses lugares durante pelo menos oito anos de sua vida, e perceber a dureza, a violência da guerra penetrando nas relações pessoais, e especialmente naquelas crianças foi um tanto quanto assustador. Mas aí fiquei fazendo o paralelo com a nossa atualidade, tão violenta quanto, pelo menos o que conhecemos da realidade brasileira não deixa a desejar no nível de perversidade com as crianças que temos.

Enfim, TodoParacuellos é um quadrinho feito em 6 revistas que foram reunidas e que conta a história de várias crianças que passaram por esses lares da Assistência Social de uma Espanha que havia recém saído de uma guerra civil e passava pelas durezas do Franquismo. As marcas de um tempo tão duro foi muito bem retratada no quadrinho. Carlos, Modesto, Confitura, Rudy, Antolín e tantos outros compõem os personagens que vão nos mostrando o modo de vida daquele momento.

Uma história que me chamou muito atenção foi logo no início quando as crianças ficam ansiosas por saber se vão receber presentes no dia de Reis e ficam felizes ao verem os trenzinhos, triciclos e jogos enviados pelos exército dos EUA. No dia seguinte, eles precisaram devolver aos cuidadores todos os presentes que lhes foram dados, pois assim funcionava o sistema. “Punto pelota”. Era isso, não tinha de outro jeito. Afinal de contas, ser presenteado pelos Reis Magos era um luxo, o mais básico que era a água e a comida era o que mais a menudo lhes faltava.

Assim como esse relato muitos outros falam dessa normalidade das más condições de vida, dos maus tratos, da violência, da escassez. Mas mesmo assim o quadrinho não é pesado, difícil. Ao contrário, a gente consegue se emocionar e também rir de algumas situações vividas pelos personagens. Para mim foi uma excelente leitura. Aprendi um pouco mais de uma história que acho importante a gente conhecer e de quebra passei bons momentos graças ao brilhantismo de Giménez que fez de algo tão duro, uma história de entretenimento.

Deixo por fim, um trecho de Carlos Giménez que diz o quanto ele quis ultrapassar o relato das dificuldades do povo espanhol mas passar também a história de uma época que marcou muita gente.

“Me gustaría que los relatos que se cuentan en los seis volúmenes de la serie Paracuellos fueran considerados no solamente como la historia de unos colegios raros y perversos, sino además, también, como una pequeña parte de la historia de la posguerra española. Quizás una parte no muy importante en términos generales, pero en términos particulares, para los que nos tocó vivirla y para nuestros familiares, suficientemente importante como para querer dejar constancia de ella.”

Carlos Giménez