DL 2012 – Outubro – TodoParacuellos, de Carlos Giménez

O mês de outubro foi bem movimentado e eu fiquei atrasada com o post do DL. Entre a mudança de casa, a falta de internet e todos os imprevistos que surgiram, foi possível ler o quadrinho espanhol que selecionei pra esse mês. 

TodoParacuellos é o nome de um antigo orfanato espanhol onde se passam parte das histórias escritas por Giménez, que formalmente se chamava Hogar Batalla del Jarama. Segundo o autor haviam outros lares e o quadrinho é uma compilação de vivências reais nesses lugares. Esses lares do auxílio social dirigidos pela Igreja durante o pós guerra eram onde grande parte das famílias deixavam suas crianças para que pudessem ter o que comer e onde dormir já que as condições do país eram desoladoras.Também era o lugar dos órfãos ou das crianças que eram abandonadas pelos pais.

Ver os desenhos de Giménez que também viveu nesses lugares durante pelo menos oito anos de sua vida, e perceber a dureza, a violência da guerra penetrando nas relações pessoais, e especialmente naquelas crianças foi um tanto quanto assustador. Mas aí fiquei fazendo o paralelo com a nossa atualidade, tão violenta quanto, pelo menos o que conhecemos da realidade brasileira não deixa a desejar no nível de perversidade com as crianças que temos.

Enfim, TodoParacuellos é um quadrinho feito em 6 revistas que foram reunidas e que conta a história de várias crianças que passaram por esses lares da Assistência Social de uma Espanha que havia recém saído de uma guerra civil e passava pelas durezas do Franquismo. As marcas de um tempo tão duro foi muito bem retratada no quadrinho. Carlos, Modesto, Confitura, Rudy, Antolín e tantos outros compõem os personagens que vão nos mostrando o modo de vida daquele momento.

Uma história que me chamou muito atenção foi logo no início quando as crianças ficam ansiosas por saber se vão receber presentes no dia de Reis e ficam felizes ao verem os trenzinhos, triciclos e jogos enviados pelos exército dos EUA. No dia seguinte, eles precisaram devolver aos cuidadores todos os presentes que lhes foram dados, pois assim funcionava o sistema. “Punto pelota”. Era isso, não tinha de outro jeito. Afinal de contas, ser presenteado pelos Reis Magos era um luxo, o mais básico que era a água e a comida era o que mais a menudo lhes faltava.

Assim como esse relato muitos outros falam dessa normalidade das más condições de vida, dos maus tratos, da violência, da escassez. Mas mesmo assim o quadrinho não é pesado, difícil. Ao contrário, a gente consegue se emocionar e também rir de algumas situações vividas pelos personagens. Para mim foi uma excelente leitura. Aprendi um pouco mais de uma história que acho importante a gente conhecer e de quebra passei bons momentos graças ao brilhantismo de Giménez que fez de algo tão duro, uma história de entretenimento.

Deixo por fim, um trecho de Carlos Giménez que diz o quanto ele quis ultrapassar o relato das dificuldades do povo espanhol mas passar também a história de uma época que marcou muita gente.

“Me gustaría que los relatos que se cuentan en los seis volúmenes de la serie Paracuellos fueran considerados no solamente como la historia de unos colegios raros y perversos, sino además, también, como una pequeña parte de la historia de la posguerra española. Quizás una parte no muy importante en términos generales, pero en términos particulares, para los que nos tocó vivirla y para nuestros familiares, suficientemente importante como para querer dejar constancia de ella.”

Carlos Giménez

Graphic Novel e etc

A semana começou devagar mas hoje foi um dia tenso. Para relaxar aproveitei para dar uma olhadinha na estante, procurar livros que estão na fila e que sejam bons candidatos ao DL 2012.

Estou construindo minha lista pensando em escolher dois livros por mês, mas evitar as leituras muito complexas ou densas pois este ano percebi que emperrei muito quando a leitura era desse tipo, como foi o caso do livro Áfricas (que ainda sigo lendo) e do Dom Quixote (que peguei uma versão clássica em espanhol). Não consegui terminar os livros e acabei me sentindo um tantinho frustrada por isso.

Então, levando isso em conta vou buscar algo mais tranquilo para que eu me permita voltar a ter um bom ritmo de leitura e daí sim, botar pra quebrar! Aí, nesse causo é que tive a idéia de repetir alguns títulos não lidos para este ano mas que se encaixam nas categorias do próximo, afinal quero diminuir a lista de espera da estante! Portanto, vou arriscar!

Mas meu povo, procrastinar é terrível, não? Dei toda essa volta pra dizer que estou saltitante com a categoria de outubro GRAPHIC NOVEL! Amo, amo e amo! Como já disse aqui no blog, desde pequena eu amo quadrinhos e com o tempo descobri esse estilo que me cativou de vez.

Depois de viver na Espanha a coisa aumentou e hoje eu sinto que se pudesse, gastaria horrores só em novela gráfica. 

O mercado brasileiro ainda é muito restrito e acho que se a gente tivesse mais parceria coisas muito bacanas chegariam às livrarias e em português. Mas temos que pressionar, né gente! Então, para os amantes do gênero fica o recado e para os interessados também: Vamos movimentar o mercado e expandir as possibilidades para além das feiras de cómics!!!

Como vi lá no blog do Desafio Literário 2012 um post para ajudar a galera a escolher suas novelas gráficas achei que seria legal dar outra ajudinha por aqui para quem quiser. Então listei os títulos que eu mais amei ler e outros que seguem impacientes na longa fila de espera. 

Aí vai:

Falei que amava, né? A lista é um pouco longa, mas ainda tem muito mais! Espero que tenham gostado.

Ilustração e cómics galegos

Eu sou fã confessa de cómics há muito tempo. Descobri aqui na Espanha que eles também chamam os quadrinhos de tebeos ou banda diseñada.

Minha história de amor com o cómics começou quando lia a turma da Mônica. Depois ganhei uns exemplares de uma história de vampiros que não consigo me lembrar o nome! Lembro que minha mãe ficava desesperada de me ver devorando aqueles livros de “bichos feios”, como ela chamava.

Muuito tempo mais tarde, descobri a Neil Gaiman e aí a paixão ficou definitivamente consolidada. Li toda a saga, comprei alguns livros da edição de luxo e me encantei pelo personagem da Morte – eu já tinha uma quedinha por coisas estranhas, convenhamos!

Uns anos mais tarde a lista de autores e de ilustradores de quadrinhos foram aumentando, e depois que fui ao 26 Salão do Cómic em Barcelona (2008) virei uma freak!

Lá conheci alguns autores galegos que adorei! Até então só tinha ouvido falar de Miguelanxo Prado e finalmente pude ver muitas das obras dele e me encantei! Comprei o vídeo de animação do De Profundis (lindíssimo), li Trazo de Tiza e comprei faz poucos dias La mansión de los Pampín.

Outro galego que me conquistou foi Alberto Vázquez com sua obraPsiconautas (tenho dedicatória e tudo!). E faz pouco tempo uma amiga querida, filóloga galega me passou a página de David Pintor, que ilustrou Compostela com uma poética linda e traço super fofo!

Para quem gosta de quadrinhos fofos esses autores são boa pedida! Boa leitura 🙂