Etc e tal

Hoje é feriado de Finados aqui no Brasil, como todo mundo sabe. É um dia que eu sempre recordei como cinza, mesmo quando faz sol.

Lembro da tradição de ir ao cemitério deixar flores aos meus avós paternos e ao meu avô materno, sepultados na cidade onde nasci e ficar pensando quem levaria algo pra minha avó materna em outra cidade. Fato é que eu nunca conheci a nenhum dos meus 4 avós. Sou filha caçula de filha caçula de 13, e meu pai também vem lá por último dos 12 irmãos. Então é claro, meus primos todos quase poderiam ser meus pais e acabei brincando com meus sobrinhos de segundo grau quando era criança. Mas, nem era isso que eu ia dizer. 

Fato é que, depois de 3 anos fora faz é tempo que não vou deixar flores para os familiares falecidos, que hoje em dia já somam tios e tias mais. Hoje quando liguei para falar com meus pais senti falta desta tradição que para mim é de respeito com a nossa finitude e os nossos laços de sangue, de amizade, de afeto enfim. 

Infelizmente perder alguém não é algo fácil de lidar, mas acredito que a gente acaba piorando muito as coisas quando vemos a morte como algo fora do ciclo comum de vida de todo ser humano. E especialmente quando a significamos apenas como algo negativo, ruim, escuro, frio, etc. O lado sombrio e triste para mim existe sim, é claro. Mas acredito que a gente deveria aprender a também ver a morte como processo, passagem, possibilidade. 

É aí que entra minha curiosidade em conhecer as festividades do “Día de Muertos” comemorado no México. A data de comemoração inicia no dia 01 de novembro às 12 do meio-dia quando se supõe que os entes queridos estão mais perto, e termina às 16 horas do dia 02 quando se reza uma missa pelas almas. 

Neste período entre o início e o fim deste costume, as pessoas que ainda seguem a tradição fazem suas oferendas aos seus falecidos, convidando-os a estarem juntos. Um momento de recordar, de lembrar das coisas boas, e de fortalecer vínculos tanto da família nuclear como extensa, e também dos amigos.

É incrível a elaboração dos doces, das comidas, e especialmente de toda a decoração.

Decoração alegre para o dia dos mortos
Ícones, doces, decoração e a Catrina

Pelo que li e também escutei do meu marido que é mexicano, existem zonas na cidade onde é mais forte esse costume popular. Mas toda a cidade e o país ficam enfeitados pela ocasião do Día de Muertos. 

Entrada do Zocalo, principal praça da Cidade do México (D.F.)

A região de San Andrés Mixquic no Distrito Federal mexicano é uma das mais buscadas tanto pelas pessoas que fazem as oferendas, tanto por aqueles que vão apreciar o momento cultural daquele povo.

Família preparando a celebração

As pessoas realmente enfeitam os túmulos com flores muito coloridas, ocupamos cemitérios também durante a noite, como se fosse uma vigília. Sentam, comem, conversam, lembram histórias e convidam as pessoas que passam por ali a comerem e beberem juntas. Existe um pão especial para esta ocasião, chamado de Pan de muertos e também vários doces delicadamente feitos em formato de caveirinhas. Ah, e eles também tem um ícone que é a Catrina, uma caveira de chapéu, bem feminina, representando a alta sociedade do séc. XX e que para a cultura popular mexicana significa que diante da morte não há diferenças sociais. Acho isso também o maior barato!

Pan de Muertos
Docinhos de caveira, bem pequenininhos
O colorido das flores na decoração
À noite as pessoas também celebram.
Uma de várias representações de Catrina

Eu fico boquiaberta com a forma que eles têm de festejar essa passagem que nos espera a todos, que é a morte. E tenho muita curiosidade de conhecer de perto essa tradição. 

Pois então, o dia de hoje tá cinza lá fora, mas eu agradeço à vida a oportunidade de ter conhecido as pessoas especiais que foram tão importantes na minha história e desejo de verdade que todos possamos evoluir mais e mais, mesmo depois dessa passagem. É no que eu acredito!

E sobre o feriado, bem…ele marca o fim dos meus dias de folga tirados no trabalho e amanhã a vida continua frenética, cheia de compromissos e planos. Típico mesmo da vida, não é? 

Bora lá viver! Porque cada coisa tem seu tempo!

PS: Todas as fotos deste post foram retiradas do Google. 

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Cantinhos que eu aprecio

Voltando a falar um pouco sobre o meu Estado e as cidades daqui, resolvi compartilhar com vocês alguns lugares daqui que eu gosto muito ou que tenho muita vontade de conhecer.

A primeira apresentação de hoje fica por conta da Praia da Costa, em Vila Velha. Pois é, trata-se de uma praia já bem urbanizada que fica na cidade de Vila Velha e que eu amo visitar. Quando eu morava lá ia sempre andar pelo calçadão ou pela areia e apreciar o mar com aquele monte de navios ao fundo! É um passeio simples, mas faz a diferença pra mim. E se for em dia de feirinha então, melhor ainda!

É uma pena que as minhas fotos tiradas daí não mostram uma vista panorâmica, mas com a ajuda do Google já dá pra ter uma idéia do visu.

Bem, seguindo sobre os cantinhos que eu aprecio, vou falar de um lugar que enfatiza algo bem peculiar do Estado e que é um atrativo bem bacana. A proximidade entre praia e montanha! Pois é, não sou praieira, mas gosto do contato com o mar e a areia, porém quando a gente quer um clima mais fresco e um pouco mais de sossego e de verde…subimos as montanhas e plim! Parece que estamos em outro canto do país. 

Hoje fico com Domingos Martins e Pedra Azul, lugares fofos, charmosos e delícia para curtir com os amigos, com a família ou com o amor! Eu adoro!

A famosa Pedra do LagartoA famosa Pedra do Lagarto em Pedra Azul

Esta é a entrada de Domingos Martins – forte presença da colonização alemã, italiana e pomerana

Banda típica em apresentação na Sommerfest em janeiro deste ano

Andando por estas bandas você sente como se estivesse até em outro país. Existe parte da população destas zonas que ainda falam o pomerano diariamente! As festas típicas, a arquitetura e a culinária ainda apresentam traços fortes da colonização mista. E a gente aproveita para curtir!

E aí, gostou dessas belezuras capixabas? Vem cá conhecer!

Você conhece o Espírito Santo?

Este post foi motivado depois de muitas observações sobre como o meu (nosso) Estado é pouco conhecido dentro do país, mesmo pertencendo a região sudeste.

Achei uma boa idéia escrever um pouco sobre este cantinho tão bonito para o qual eu voltei faz alguns meses. Pretendo torná-lo uma categoria e ir apresentando coisas ao longo do tempo. Assim, aproveito também para conhecer o que ainda não vi e divulgar um pouco destas belezas capixabas. Bora?

Então: a capital do Espírito Santo é Vitória, uma cidade ilha de 325.453 habitantes (segundo censo IBGE 2010) que faz fronteira com outros três municípios (Serra, Vila Velha e Cariacica), que juntos formam a chamada Região Metropolitana da Grande Vitória (somam-se ainda Fundão, Guarapari e Viana).

Esta é a Terceira Ponte, que conecta Vitória à Vila Velha e que nos proporciona umas imagens belíssimas, tanto de cima, como debaixo.

É uma cidade com uma área verde bacana, com parques e também com praias perto de tudo!

Este é um dos Parques que eu mais gosto. Conhecido como Parque da Pedra da Cebola, é um local onde antigamente se realizavam muitas extrações de pedra e posteriormente se tornou terreno baldio, cheio de lixo e propício à violência. Por pressão da vizinhança local a Prefeitura começou um trabalho ali e hoje é um espaço gostoso para passear, correr, namorar, enfim. Vou sempre quando posso com meus grupos do trabalho. 

A cidade é cheia de cantos bacanas, e agora me empolguei para mostrar. Mas para não ficar um post muito gigante, vou postando pouco a pouco. Por hoje a pequena apresentação fica por aqui.

E os capixabas de plantão, o que acham do nosso Estado? O que gostariam de ver por aqui?

Beijo gigante e bona nit a tothom 😉

PS: As fotos deste post são de uma busca no Google, e outras são de minha autoria.

Das coisas que ficam

Eu e o mediterrâneo no dia de Iemanjá

 

3 anos muito bem vividos aqui em Barcelona!

Aprendizado, alegrias, algumas frustrações, momentos difíceis e também de muita festa! Amigos, lugares, momentos inesquecíveis, reflexões pessoais que vão ficar para sempre. O convívio em outra cultura sempre enriquece quem verdadeiramente se deixa afetar pelas diferenças, por novas formas de vida.

Como tudo nesta vida tem seu fim, depois de terminar meu máster e decidir não continuar o doutorado por aqui, volto ao Brasil dentro de poucos dias. Levo comigo muita, mais muita coisa boa meeesmo. Tudo o que vivi aqui não troco por nada nesse mundo! Demorei a “ter pernas” para sair do meu país e vir pra cá, mas foi uma das melhores decisões que tomei na vida! Volto mais madura, mais segura de mim, mais aberta ao desconhecido e às diferenças. Volto finalmente com a fluência nesse idioma que tanto admiro que é o español, e caramba meu povo…levo junto comigo a pessoa com quem quero compartilhar muitos anos de minha vida! E que conheci aqui em Barcelona. Olha que bacana! Essa cidade me proporcionou muitas coisas boas…um amor novo, vários ciclos que se fecharam, amigos maravilhosos, pessoas que passaram e que foram muito importantes também. Proporcionou um tempo de tranquilidade, de paz interior (mesmo quando a burocracia que acompanha o “ser estrangeiro” me tirava do sério), um máster e a certeza de que eu posso fazer o que eu quiser da minha vida! É, parece simples e até redundante, mas pra mim foi importante mostrar para mim mesma que sou capaz, que posso fazer o que for, trabalhar no que for, vou dar sempre o meu melhor! E isso é ótimo!

Confesso que tem sido difícil me despedir…dos lugares, das pessoas, dos passeios no fim da tarde com aquele friozinho que eu tanto amo, dos cafés aconchegantes, das bibliotecas por todos os lados da cidade, cada uma mais maravilhosa que a outra! Difícil saber que não vou mais comprar no Paquistanês aqui da esquina, nem no Chino onde vendem mil tranqueiras bara, bara…que não vou mais passar pela Boqueria, nem ver meus programas favoritos da TV sem tanta censura! Ruim saber que vou estar longe das estréias do filmes europeus (especialmente os “de autor”, ou “de culto” como chamam eles). Ai, minha gente…dá uma lista infinita de coisas que ficam e das quais sentirei imensa saudade.

Vejo cada coisa com mais atenção, com mais carinho e fico pensando no quanto isso tudo vai mudar da próxima vez que eu voltar de visita.

Mas sabe, a vida é isso mesmo e fico feliz também porque agora tudo vai tomar outro ritmo e a gente precisava disso! Feliz também porque vou estar com pessoas queridas, vou rever lugares que amo e terei muitas possibilidades que aqui não tenho. Então, tudo certo.

Esse post foi mesmo para exteriorizar esse momento de partida, que é difícil sobretudo  quando se tem tantas boas lembranças e tanta coisa boa num lugar! Vou – como dizem aqui- “con buen sabor de boca”. Sei que vivi o que tinha que viver e amei a experiência. E claro, recomendo! 😉

Passeig Maritim

PS: ainda fico devendo posts mais objetivos sobre vir estudar na Espanha!

Viver em Barcelona é…

Então, há três anos atrás eu cheguei em Barcelona com duas malas e um monte de sonhos na cabeça, pronta para começar a estudar outro máster e louca de vontade de aprender a me comunicar, viver a cidade e a experiência de estar aqui.

Pois bem, passado este tempo tenho um monte de histórias bacanas para contar e muita coisa boa que recordar também. Lembrando um pouco da fase de adaptação -longa e que até hoje não acabou- penso naqueles detalhes que te afirmam que você não está mais no seu território.

Por exemplo: você começa a sentir que está vivendo na Espanha, especialmente em Barcelona quando:

– andar pelas ruas e ver aquela multidão de turistas se torna “o pão de cada dia”;

– de repente você também começa a chamar os turistas de “guiris”;

– seu senso estético começa a ser influenciado por um sem fim de estilos, e achar legal aquela franja “a la catalana” é o mais normal do mundo;

– sem querer você se acostuma com o mau cheiro dentro do metrô, e em alguns casos como o meu, também acaba tendo que tolerar o mau cheiro no local de trabalho (é, esse negócio de banho todo dia em inverno é algo muito “nosso”, muita gente aqui cultiva aquele “cheirinho especial”);

– começa a se acostumar com o mau humor do povo que parece não ter fim e se assusta quando alguém é muito amável;

– usa as pernas para se locomover mais do que qualquer outro meio de transporte e acha super legal porque realmente a cidade está adaptada pra isso;

– adora sorvete no frio, também leva pão (com alguma coisa dentro) para comer durante o passeio (e não acha cafona) e faz uso da bicicleta com certa frequência (se bobear tem até o cartão do Bicing);

– você nota que está em Barcelona quando escuta catalão 24 horas por dia e começa a dizer “adéu” e “siusplau” sem se dar conta;

– depois de um certo tempo começa a ser fã de Buenafuente, Berto Romero e no meu caso também de Sé lo que hicisteis e Belén Estéban (argh!) já virou figurinha fácil mesmo sem acompanhar “la prensa del corazón”;

– fica fascinado com a quantidade de atividade cultural que acontece na cidade e fica feliz de ver Picasso e Miró de graça nos eventos abertos ao público;

– você se dá conta de que está vivendo em Barcelona quando faz topless no verão e acha muito normal;

– comemora o dia de São João (San Joan) como se fosse ano novo e arranja formas alternativas de passar o Ano Novo em pleno inverno sem deprimir;

– comemora o dia de San Jordi – e fica alucinado com tantos livros e flores pelas ruas da cidade e adora ganhar uma rosa e um livro de algum amigo ou do namorado;

– começa a conhecer gente de tudo que é lugar e normalmente vai à festas nas que encontra com literalmente meio mundo de etnias e todoso se esforçam em comunicar-se, mas nada de muito abraço nem demonstrações efusivas de afeto;

– e quando “cai a ficha” dessas e outros milhões de detalhes mais, você se sente feliz por ter vivido tudo isso e no meu caso – como é hora de voltar – já fica saudoso de cada pedacinho da cidade, de cada pessoa e experiência vividos.

Jo t’estimo Barcelona! 😉

 

Panorâmica