“Alguém me desconfigurou”

Quase meia hora pra decidir o nome do post já revela pra mim o quanto minha suspeita é real: ando sem criatividade, meio zumbi, meio piloto automático ou algo parecido. É muito chato perceber que o final do ano está chegando e que fazer a tal retrospectiva de como foram os meses desse 2012 me faz perceber que vivi quase os 365 dias sem notar que eles estavam passando. Resumindo, meu ano de 2012 foi de trabalho, trabalho, trabalho. Uma situação ou outra de descanso de verdade. 

Não posso negar que nesses últimos meses conquistei muitas coisas importantes como a compra do apartamento, a mudança de emprego, a manutenção de exercício físico na rotina (natação) e o rearranjo da vida depois do retorno ao Brasil. Não tem sido fácil, mas sinto que o meu caminho neste momento da minha vida é mesmo esse. E me sinto feliz com isso. Mas não posso negar que o cansaço tomou conta de mim. Esse fim de ano me dá o saldo de 3 anos sem férias e isso já passou do meu limite. Somado ao esforço da readaptação, das decisões difíceis que tomamos…caramba! É até compreensível essa falta de criatividade.

Entretanto, além desses fatores tenho atribuído essa minha fase sem graça a falta de identificação que tenho sentido com as coisas e o modo de vida ao meu redor. Pois é, fico pensando em como não parecer pedante ao dizer isso, mas não adianta. Pelo menos aqui onde vivo e com as poucas pessoas do meu convívio sempre que falo da experiência de ter sido expatriada parece que quero “aparecer”. Gente, não tem nada mais chato do que isso. Desde que voltei (e que fique claro, o retorno nunca é tão tranquilo) não me sinto à vontade pra falar do quanto tudo aquilo foi importante pra minha pessoa! Não, não é pra parecer “chique”, não é pra “aparecer”. É simplesmente uma necessidade de compartilhar de coisas que me são caras. É também uma necessidade, acredito eu, de encontrar pessoas que compartilham outros modos de vida, menos luxuosos, menos espetaculosos e mais simples. Não sei se essa dificuldade que sinto é uma particularidade do lugar onde vivo (e duvido que seja), mas tem me incomodado muito perceber que a maioria dos meus esforços hoje são para ter coisas, para manter um padrão de vida “estável” como a maioria das pessoas da minha idade. Viver experiências diferentes, usar mais os espaços públicos, conhecer outros modos de vida, ter tempo para a vida além trabalho é algo que tem ficado tão longe do cotidiano, mas tão longe que o incômodo já virou agonia! Não é isso que quero pra minha vida. Só que ainda não descobri como fazer pra viver com mais intensidade, criatividade com a rotina que levo. Talvez as respostas estejam bem em frente do meu nariz, mas ainda não enxergo. Alguém aí tem uma luz no fim do túnel?

Imagem do Mangá Uzumaki